' E assim o tempo vai passando...

sexta-feira, 19 de março de 2010

death


Ela tem vários disfarces. E aparece incontáveis vezes ao dia. Em qualquer lugar que você vá, ela está lá. Em pequenos detalhes. Ou em grandes acontecimentos. Na maioria das situações do seu dia-a-dia, ela lhe acompanhará. Quase como uma sombra atrás de você, imperceptível mesmo aos olhos mais espertos do mundo, ela estará à espreita, logo atrás, num lugar escondido, esperando você somente dar um passo errado numa caminhada. Colocar uma palavra errada numa frase. Deixar de responder a uma única pergunta, simples e - talvez - sem importância. Para você, é sem importância, mas para ela - é a chava que ela precisa para lhe atacar. E, quando você menos espera, ela lhe pegou e carregou você nos braços, para muito, muito longe daqui.

Você não sabe, mas convive com ela todos os dias. Ao sair de casa, e quase pisar dentro de um bueiro. Ao atravessar a rua, mesmo com um carro próximo demais. Ao não esperar o sinal fechar. Ao atender o celular. Ao conversar com alguém do outro lado da rua. Ao pegar o ônibus errado. Ao entrar no ônibus e não ter lugar para sentar. Ao sentar próximo da janela. Você não sabe de que lado ela vem, mas sabe que ela está por ali. Rondando. Sondando. À espreita.

Os que a descobrem facilmente, podem achá-la até mesmo simpática e amigável. Porém são poucos. Geralmente, quando você a vê, pelo canto do olho, ficará com medo e logo, com uma rapidez que julgará infinita, desviará o olhar. Mas, se for curioso, descobrirá que, ao olhar de novo, ela está ali. E ali, do outro lado. E mais ali na frente. E logo um pouquinho mais à direita, quase atrás de sua cabeça. Só não olhe para baixo. Isso pode ser, para ela, o golpe fatal.

Porém, não se preocupe. Não fique achando que só porque ela te sonda, ela te fará mal. Ela sabe o que faz. Ela somente vigia, entediada, e se divertindo às suas custas. Mas nunca prega peças. Só espera, para ver sua reação. Ela sabe que você já prega muitas peças e põe muitos obstáculos na frente de tudo, só para ser mais trabalhoso. Você é quem projeta os milhares de encontros com ela no dia-a-dia, só que não percebe. Só ela que percebe. E se diverte.

Então, se divirta junto com ela. Ache suas próprias brincadeiras com o destino. Mas tome cuidado com os bueiros, as ruas, os sinais e as palavras. Talvez, numa dessas situações, quando você menos espera, ela atacará você. E, você sabe, que com ela é caminho sem volta.

quinta-feira, 18 de março de 2010

♥


Te juro que tentei de todas as maneiras decifrar este sorriso tão bem desenhado. Te juro que tentei não ficar pensando em cada momento do dia que passamos juntos, cada coisa que marcou. Mas, por mais que eu pense em não pensar, penso mais.
Você entrou na minha vida como uma tatuagem, mas aquela que não aparenta ser de rena.
Posso jurar de novo que tentei não me recair com teus encantos, mas não resisti. Não resisto.
Quando o seu olhar cai no meu, parece até involuntário. Minhas bochechas se coram, meu sorriso se abre. E como resposta, sorri junto. E ficamos assim, sorrindo. Quem vê de fora até pensa que é premeditado, uma brincadeira que gerou algum tipo de lembrança – que nos traz o sorriso. Mas não é.
E a cada segundo que acontece, nos aproximamos mesmo sem saber, sem sentir. Parece que é aquela coisa no ar, como se fosse um clima. Parece que é um tipo de sinal, um toque, que quando o percebemos nos olhamos e ‘tchan’.
Durante um tempo tentei me preservar para o que poderia vir. Tentei me amar acima de tudo, tentei amadurecer para quem sabe como dizem: “poderem me dar valor como sou”. Estive muito bem sozinha, obrigada. Consegui acima de tudo manter os pés no chão,o que é bem difícil para uma pessoa que só consegue viver voando – escondida, quem sabe. Tinha decidido que só conseguiria gostar realmente de alguém quando soubesse que esse alguém me merecia. Que saberia me reconhecer, me amar acima das diferenças, me ver como realmente sou.
Reconheço que no inicio foi difícil – afinal, uma pessoa como eu se alimenta da paixão, só consegue viver apaixonada. E o tempo foi passando. Com ele, o céu veio voltando a tomar cor, e comecei a reconhecer as ‘tais estrelas’ que para mim sempre brilhavam.
Então, será que para tudo mudar de maneira tão repentina, teve um propósito? Será que certa parte do meu ‘instinto’ sentiu que já estava na hora de escrever para alguém novamente? Será que por ter te conhecido em tão pouco tempo, teus gestos me mostraram aquilo que me sentia preparada para receber? Será, será... E as perguntas começam novamente.
Mas aceito, aceito de bom grado. Sei que tais perguntas rondaram minha mente junto com a lembrança do seu rosto, vagando como uma maresia de um cigarro que há muito já foi. Mas ficou no ar. Você ficou no ar, mesmo que não tenha deixado nada para trás. Apenas a lembrança que não quer se apagar – e eu espero que não se apague.
Que não se apague tão cedo, para poder admirar teu rosto em minha mente, dormir com o sussurrar de tuas palavras. Que deixe minha imaginação fluir fazendo cenas, criando palavras, sendo única. Unicamente da única maneira que quero ser – unicamente sua.

um rio...


Já me falaram que a vida é assim. Que ela corre e não para. E que vai, arrastando tudo que vê pelo caminho, seja bom ou ruim, até tomar o seu real curso. Ele pode transbordar, fazer uma nova margem, quem sabe até ficar menos denso, diminuir a sua quantidade de água ou algo assim. Não importa. O rio continua correndo.
Na nossa vida, esse curso traz conseqüências. Mas, se pensarmos bem, o que não traz?
Vivemos tentando aproveitar o máximo do presente, tentando trazer – ou viver – aquela palavrinha que tantos vêem como mágica: a felicidade.
Mas como diria a música: ‘O que é? O que é, meu irmão? Ela é a batida de um coração?’
Ali ela se refere à vida, mas falemos da felicidade.
Seria um sorriso? Um estado maior? Um sentimento bom?
É possível ser feliz sozinho?
Durante tanto, mas tanto tempo procurei por todas estas respostas.. E não vou mentir, ainda procuro. Mas é apenas estando do lado oposto – degustando da tristeza – que damos o verdadeiro valor à felicidade. O problema é que quando isso acontece, o singular domina. Ele entra na sua cabeça e te revira do avesso, te faz pensar diferente – ser diferente. E tudo isso deixa uma marca, uma cicatriz. Para alguns ela pode ser visível, mas para outros não. Então, desta maneira vemos o singular como errado, e passamos a buscar desesperadamente pelo plural. Para que assim, se houverem cicatrizes, que as suas conseqüências sejam sorrisos, não lágrimas.
O plural te deixa feliz. Te faz sentir completo. Faz com que quando você olhe para o passado, pense
“como consegui viver sem?”;
E assim leva seus dias. Cria linhas, caminhos, historias, compartilha sorrisos.
E é bom demais.
Mas todo curso tem uma virada. Eis o nosso rio.
Algumas pedras no caminho o plural agüenta, mas outras não. Ele simplesmente implora singular, e não sossega se isso não acontecer. Foi assim.
Quando plural, tudo é compreensível, aceitável. Quando singular, o outro te aponta o dedo, te critica, e faz tudo ao contrario de quando tinha tudo para dar errado – e dava certo.
Um paradoxo particular.
Como um tipo de bomba à parte que não explode enquanto o tempo corre no cronometro, pois ele nunca iria parar. Ela só detona quando.. bem, quando o tempo não existe.
E então, como lidar com o tempo, e com a tristeza, quando a sua única opção de felicidade te deixou cicatrizes que trouxeram mais lágrimas quando eram para resultar em sorrisos?
O que fazer?
Seguir o curso.
Admire-se, foi bom. Maravilhoso. Mas se um singular não conseguiu aceitar o outro depois de não serem mais plurais, vai ver não era para ser. Vai ver era mais uma façanha de uma curva, um truque da tristeza, para trazer a felicidade.
E vamos segundo como um rio.
Não sabemos que virá após aquela curva, se agüentaremos alguma chuva, quem sabe passar por cima de uma pedra, transbordar. Quem sabe.
Mas sempre seguir.
E nunca deixar de tentar ser feliz.
Mesmo no singular.

e mais uma noite se foi...


Quando o sol aponta no horizonte quebrando a madrugada, a lua já começa a se mover. Os olhos ansiosos esperam por uma boa notícia, os ouvidos esperam por uma boa razão.
Na escuridão em que se encontrava, a luz nunca pensou em se fazer presente. O dia não tinha acesso. O pensamento era a única voz, a solidão era a única companhia.
Em um outro horizonte, a luz bateu. Subiu no céu sem aviso prévio, estourou cada vertigem, incendiou o ar.
As lágrimas que há muito não eram vistas, foram pedindo passagem. A imagem que já era feita foi rebobinada, reformulada. A confiança de muitos se foi.
A cabeça se pergunta com arrependimento, a corpo não para de se mover. Se auto castiga, ausente, quer sair dali.
O som não chega à seus ouvidos. A certeza não existe mais.
Os olhos já foram marcados, os pés já ultrapassaram o chão.
A cabeça já esteve nas nuvens, os dias já foram normais.
Abrace o meu corpo, mesmo que esteja sem vida. Quero sentir que esta aqui. Sussurre verdades mentirosas, ouça o silencio.
Faça-me deixar meu pulso em paz. Faça-me parar de me castigar.
Diga que confia em mim.
Me de um motivo para não ir embora, fale que sentirá minha falta. Olhe em meus olhos vazios e diga que essa é a realidade. Confesse que é tudo um grande erro, grite as verdades mudas sem ter vergonha.
Aceite quem eu sou.
Não deixe-me quebrar o espelho, me controle. Pegue alguns daqueles fios invisíveis e me manipule como um fantoche. Minta para mim.
Apague a luz, vamos embora.

Não sei como terminar este texto. --'

segunda-feira, 15 de março de 2010

O Diário de Um Cão



1ª semana

Hoje faz uma semana que nasci. Que alegria ter chegado a esse mundo!!!

1 mês

Minha mamãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar.

2 meses

Hoje me separaram de mamãe. Ela estava muito inquieta e com seus olhos me disse adeus como esperando que minha nova "família humana" cuidasse bem de mim, como ela havia feito.

4 meses

Cresci muito rápido, tudo chama a minha atenção. Há várias crianças na casa que são como meus "irmãozinhos". Somos muito levados, eles me jogam uma bola e eu os mordo jogando.

5 meses

Hoje me castigaram, minha dona se zangou porque fiz "pipi" dentro da casa...mas nunca me disseram onde eu deveria fazer. E como eu durmo lá dentro eu não me agüentei!!!

6 meses

Sou um cão feliz. Tenho o calor de um lar, sinto-me seguro e protegido...Creio que minha família humana me ama muito. Quando estão comendo me convidam, o pátio é somente para mim e eu estou sempre cavando, como os meus antepassados lobos, quando escondiam a comida. Nunca me educam, seguramente porque nada faço de errado.

12 meses

Hoje completei um ano. Sou um cão adulto e meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulhosos devem estar de mim!!!

13 meses

Como me senti mal hoje. Meu "irmãozinho" tirou a minha bola. Como nunca pego seus brinquedos fui atrás dele e o mordi. Mas como meus dentes estão muito fortes, machuquei-o sem querer. Depois do susto me prenderam e quase não posso me mover para tomar um pouco de sol. Dizem que sou ingrato e que vão me deixar em observação (certamente não me vacinaram). Não entendo nada do que está acontecendo.

15 meses

Tudo mudou. Vivo preso no pátio, numa corrente. Me sinto muito só. Minha família já não me quer. Às vezes esquecem que tenho fome e sede e quando chove não tenho teto que me cubra.

16 meses

Hoje me tiraram da corrente. Pensei que tinham me perdoado e fiquei tão contente que dava saltos de alegria e meu rabo balançava. Parece que vou passear com eles. Subimos no carro e andamos um grande trecho quando pararam. Abriram a porta e eu desci correndo, feliz, crendo que era dia de passeio no campo. Não entendo porque fecharam a porta e se foram. "Esperem"!!! - lati..."esqueceram de mim...!!!". Corri atrás do carro com todas as minhas forças. Minha angústia aumentou ao perceber que o carro se afastava e eles não paravam. Tinham me abandonado.

17 meses

Procurei, em vão, achar o caminho de volta à casa. Sentei-me no caminho, estou perdido e algumas pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algo de comer. Eu agradeço com um olhar do fundo de minha alma. Quisera que me adotassem, eu seria leal como ninguém. Porém eles apenas dizem: "- pobre cãozinho, deve estar perdido".

18 meses

Outro dia passei por uma escola e vi muitas crianças e jovens como meus "irmãozinhos". Cheguei perto e um grupo deles, dando risadas, atirou-me uma chuva de pedras "para ver quem tinha melhor pontaria". Uma dessas pedras atingiu um dos meus olhos e desde então não enxergo com ele.

19 meses

Parece mentira mas quando eu estava mais bonito as pessoas se compadeciam mais comigo. Agora que estou muito fraco, com um aspecto bem mudado pois perdi meu olho, as pessoas me tratam a pontapés quando pretendo deitar-me à sombra.

20 meses

Quase não posso me mover. Hoje, ao atravessar a rua por onde passam os carros, um deles me atropelou. Pelo que sei, estava num lugar seguro chamado "sarjeta", mas nunca vou me esquecer do olhar de satisfação do motorista. Antes tivesse me matado, porém só me deslocou a cadeira. A dor é terrível, minhas patas traseiras não me respondem e com dificuldade me arrastei até uma moita fora da estrada. Já fazem 10 dias que estou em baixo de sol, chuva e frio, sem comer. Não posso me mover, a dor é insuportável. Sinto-me muito mal, estou num lugar úmido e parece que meu pêlo está caindo. Algumas pessoas passam e não me vêem. Outras dizem: "- não se aproxime". Já estou quase inconsciente, porém uma força estranha me fez abrir os olhos. A doçura de sua voz me fez reagir. "Pobre cãozinho, veja como te deixaram"- dizia. Junto a ela estava um senhor de roupa branca que começou a tocar-me e disse: "- Sinto muito senhora, mas esse cão já não tem remédio, o melhor é que deixe de sofrer". A gentil dama consentiu, com os olhos cheios de lágrimas. Como pude, mexi o rabo e olhei para ela agradecendo por me ajudar a descansar. Senti somente a picada da injeção e dormi para sempre, pensando em porque nasci, se ninguém me queria.


Autoria Desconhecida

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Meu sistema de segurança

Acredito que todos nós temos um sistema de segurança que nos protege de decepções, desilusões, desentendimentos, enfim ... que nos protege de tudo que nos faz mal. E esse meu sistema de segurança está agora em estado de alerta, mesmo que eu não queira que ele esteja. Mas, acredito que ele já tenha sido programado para se ativar quando chegasse uma situação assim. Sim, aquela pessoa que eu disse que estava encantada. Ainda estou(acredito eu), mas meus pés não saem do chão, e meu cérebro não para de pensar e não dá espaço pra minha parte emocional se manifestar! Logo eu, que era tão emotiva, agia tanto pela emoção...
Não consigo mais dizer o quanto essa pessoa é especial pra mim nesse tempo que a gente está "junto", não consigo e não quero, pra eu não me arrepender depois. Talvez, ela nem seja assim tão especial também ... mastalvez ela seja especial sim!
Eu espero encontrar alguém que me ame a cada batida do coração, que pense em mim em todos os momentos, alguém que me ajude seja com o que for, que me proteja de tudo, que me ampare, alguém que me trate com respeito, que goste de todos os lados meus, inclusive meu lado de falhas, alguém que me faça feliz, que me complete em tudo, que me deixe flutuando de alegrias, alguém que vai estar do meu lado seja onde for, me apoiando sempre, me defendendo, me guiando, me amando simplesmente. Quando eu encontrar esse alguém, meu sistema de segurança se desarma automaticamente por completo, deixando tudo livre livre !
Talvez essa pessoa que eu estou encantada, seja esse meu alguém, talvez só precise de mais tempo para se mostrar, para desarmar meu sistema de segurança. Mas só vou saber se ele é esse alguém com o tempo. Eu tenho que aprender a dar o tempo ao tempo; tenho que aprender que as coisas não dependem unica e exclusivamente das minhas atitudes (grande parte sim, mas não tudo!), que tem que haver atitude dos dois lados, e de um lado maior: O tempo!
Enquanto isso, eu vou aprendendo, eu vou tentando desarmar um pouco meu sistema manualmente mesmo, vou dando tempo ao tempo, vou esperar mais do outro lado também, e vou aprendendo, aprendendo várias coisas.SEMPRE!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Vida... Viver... Sobreviver... Morte...!


Tantas pessoas que eu já conheci até hoje, algumas ainda tenho contato, outras foram passageiras. Que efeito será que eu tive na dessas pessoas passageiras na minha vida? Será que eu mudei alguma coisa na vida delas? Será que se eu nunca há tivesse conhecido, mudaria algo na minha vida? Até onde a minha vida está interligada com a de outras pessoas? Perguntas que são realmente para pensas, pensar, pensar e ainda assim não ter uma resposta objetiva!

Vida... Viver... Sobreviver... Morte...! Vida e morte em uma forma especial, uma fusão de luto e gravidez/nascimento.

Carregar em si uma nova vida, significa carregar em si a morte. Mas em que sentido luto e gravidez estão ligados, se eles são opostos? Pensando melhor, bem no fundo, dar a luz significa começar a fazer morrer. Não é possível doar a vida sem doar, juntamente, a morte, que um dia inevitavelmente irá acontecer, portanto o único modo de fugir da morte é nunca ter nascido!
Enfim, depois de tantas filosofias eu percebi que, todos nós vamos se encontrar perdidos em algum ponto de nossas vidas, esperando uma nova chance, uma nova forma de renascer do zero.